Sexta-feira, Outubro 23, 2009
1019
Até.
~ouvindo Everlasting - Wilco~
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2:45 AM |
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Sábado, Outubro 17, 2009
No dancing
É assim: andar na linha que divide a rua e a calçada, com os braços abertos, cansa depois de uns dez metros. Foi assim: era inverno, uma vela tremia sozinha no oceano inteiro, testemunhando os beijos de uma sereia nos marinheiros submersos. E o céu apagou.
O gosto da chuva era amargo, o amigo, sentado ao lado, quieto. Os passos até outro lugar eram longos, demorados, solitários, eternos. Todo o resto, até hoje, até amanhã e depois, era e será só tempo.
~ouvindo The Summer Before - The Appleseed Cast~
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11:41 PM |
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Domingo, Agosto 30, 2009
Sob a luz azul
Os cabelos dele voavam, dançando vagarosamente. Cobriam seu rosto, que era bombardeado pela infantaria do inimigo. Cerrava os dentes, gemia e gritava sob a luz azul.
Ela podia ouvir. E os dois esperavam o Sol aparecer, após horas em silêncio.
~ouvindo Plus Ones - Okkervil River~
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4:08 AM |
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Quarta-feira, Agosto 26, 2009
Casa 12 (turned out the light cos I couldn't handle the glare in my tired eyes)
Qualquer dia desses volto pra casa, pra encontrar a porta aberta, a sala vazia, o silêncio. Um dia vou voltar pra casa só pra avisar que estou bem, feliz e que continuo longe. Quem sabe até chamar alguém pra caminhar até a praia, tomar água de coco, nadar, encostar numa pedra quente e dormir, vendo aquele vermelho, sangue, de olhar pro Sol de olhos fechados.
Não vou levar presentes, nem um rosto conhecido, nem aventuras, nem sucesso, romances, nem o violão.
~ouvindo Good Kind of Love - Brian Wilson~
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1:13 AM |
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Terça-feira, Agosto 04, 2009
Na esquina
Saí de casa meio tarde hoje, quase na hora do almoço. Matei logo a tarefa principal do dia e saí pra comer alguma coisa com dois colegas do trabalho. Deixei um documento "sigiloso" (parece brincadeira) numa copiadora, passei em uma livraria, comprei camarão fast-food e paguei umas contas. Na livraria fiquei namorando A Música dos Números Primos e Ruído, mas os dois vão ficar pro mês que vem, quando o cartão der uma respirada.
Passei pela esquina umas 3 vezes nesse caminho todo, mas nem tinha reparado que ela não estava mais lá. Voltei mais tarde pra buscar o documento, que seria digitalizado. Ouvi alguém gritando na rua, mas jamais imaginaria que aquela voz feminina estava me chamando. Acho que já perdi os hábitos de encontrar pessoas na rua e de responder por "Felipe". Um cara me apontou o carro, com um rosto sorridente dentro, acenei. O carro fez a curva, aí sim, vi a placa na esquina, já sem ela.
Voltei ao escritório, abri o PDF: 157 páginas, número primo.
~ouvindo Waving at the Shore - Throw me the Statue~
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12:26 AM |
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Sexta-feira, Julho 31, 2009
Moineau
Já corri distâncias e tempo suficientes para crescer, para esquecer, mas continuo o mesmo. Não consigo deixar de me perguntar quantos quilômetros e anos me esperam.
Tive um sonho lindo outro dia. Dava tudo tão errado, de um jeito tão harmonioso. Acordei envolvido pela sensação de que está tudo bem, as coisas estão dando certo, mas de um jeito trágico, feito uma bola de neve. Queria voltar pra quando tudo dava errado. Agora não dá mais.
Estou com uma dor de cabeça braba, dizem que é a seca. Nunca tomei tanta água na vida e essa maldita seca me deixa com essa dor de cabeça sem fim. Mas pior que a dor de cabeça é a impressão de estar mentindo, ao deixar brotar essa enxurrada de verdades.
~ouvindo One Wing - Wilco~
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11:18 PM |
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Segunda-feira, Junho 08, 2009
Os problemas do sol (cela devrait pouvoir me consoler un peu)
Se não durmo uma noite, gravo discos e filmes. Bebo rum, escrevo histórias que não vivi sobre erros que cometi e leio manuais de instruções. Faço arroz, frito batatas, cozinho pra um batalhão e como tudo sozinho. Danço na sala e canto no jardim. Quando o céu fica claro procuro as estrelas teimosas, converso com elas numa oração e vou deitar. Tão sozinho e tão feliz.
Finjo que debaixo daquele lago corre um rio que vai me levar até o mar. Aí acho que todos males vem pro bem, me sinto o A e o Z. Flutuo entre as nuvens, como um balão dançando no vento, mas atento aos sinais que passam rápido e fogem no azul.
Mas se eu não durmir... você vai me beijar pra silenciar as notas que deixo escapar quando estou sonhando?
~ouvindo Uma Pessoa Só - Os Mutantes~
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4:12 AM |
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Quinta-feira, Junho 04, 2009
Bem ao norte (c'est juste un fil de soie)
Logo hoje me apareceu Vitória. Fazia frio, eu congelava debaixo de 3 blusas e ela me olhava do outro lado da mesa de um bar. Eu, tão frágil depois de 8 copos de cerveja, evitava olhar pra ela, toda confiante, me desafiando. Tive vontade de fugir, ainda assim, voltei pra me despedir.
Ela olhou torto, acho que disse alguma coisa. Perguntou meu nome, fez que não me conhecia. Fiquei todo desconfiado mas respondi, meio intimidado. Fiquei lá explicando todos os nomes e motivos de estar ali parado me explicando pra Vitória e um bucado de desconhecidos, então virei as costas e fui embora.
Tinha muito frio, muito sono e pouca lucidez. Tive vontade de dizer mentiras, beijar seu rosto e voltar pra casa, adolescente. Sobrevoando a cidade dos sonhos, feito um vencedor. Não fiz nada disso. Passei na minha lanchonete preferida e vim me esconder no meu quarto.
~ouvindo Há de Ventar - Bruno Morais~
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3:59 AM |
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Terça-feira, Abril 28, 2009
Animais
Um dia, voltando pra casa, encontrei um saruê (tipo um gambá) na rua, que tinha acabado de ser atropelado. Só fui chegar em casa umas duas horas depois, quando consegui empurrar o bichinho até uma reserva que fica aqui perto. Pai, madrasta e irmãzinhas participaram da operação que, acho, foi bem sucedida. Aí fiquei torcendo pra que ele se recuperasse do acidente. Sei lá o que aconteceu depois que ele entrou na mata.
Outro dia, andando na rua (coisa que faço muito pouco, confesso), vi um passarinho emaranhado nos arames de uma gaiola. Mas dessa vez fiquei chateado porque não consegui ajudar. Minha preocupação com os transeuntes todos olhando pra mim e a falta de uns 15 centímetros de altura impossibilitaram o salvamento do canarinho. Fui embora cheio de culpa e desejando que ele arrumasse um jeito de se soltar.
Pensando bem sobre os dois episósidos, acho que foi uma bela perda de tempo. Mas eu acho que faria a mesma coisa de novo se encarasse uma situação parecida. Então é como se eu estivesse ficando menos idiota estando igualmente idiota, saca?
~ouvindo Sweet Romance - Rick Danko~
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3:02 AM |
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Segunda-feira, Abril 13, 2009
Sono
Não me habituo mais ao sono, à fome, a certos olhares. Tento dormir antes da manhã chegar, enquanto aquele azul escapa da minha janela, que acaba numa ponte, quem diria.
Nunca entendi algumas dessas coisas. Ainda não entendo como quase todo mundo desperdiça o silêncio da madrugada, por exemplo. Adoro a cara diferente que toda cidade ganha nas primeiras horas do dia.
Ah, esquece.
~ouvindo Sentindo Cidade II - Victor Toscano~
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5:44 AM |
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Chuva
Há um milhão de gotas no meu rosto, um bilhão de gotas no meu corpo, um trilhão de gotas no meu carro, um zilhão de gotas na minha alma. Sou uma nuvem inteira, sozinha.
~ouvindo Fleeting Mind - Ocean Colour Scene~
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3:06 PM |
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Quarta-feira, Novembro 12, 2008
Pássaros.
Tentava não parecer perdido. Escolhi uma direção, apostei no acaso. Precisava confiar em alguém, parecia sensato confiar em qualquer um.
Entrei e me escondi no banco de trás. Senti os joelhos tremerem ao perceber que o carro ameaçava sair do lugar. Ouvia alguém falar, embora mal pudesse ouvir o som do freio, mal pudesse pensar em parar.
Esperava o primeiro toque do telefone. Tomei coragem, tentei um número duas vezes e desisti. Não tinha paciência... não com números. Saí, então. Cheguei em casa sem perceber, me equilibrando nos 44 degraus que antecedem minha cama. E dormi de novo.
Parei na esquina e encontrei. Adorava olhar naqueles olhos quando eles se desligavam. Fiquei calado por algum tempo, mas continuei andando.
Um olhar trocado por engano, ou duas palavras sobre qualquer coisa são o bastante para me fazer feliz agora. E não tenho medo de gritar um nome, quando estou sozinho. Daí vem toda a segurança de amar e crucificar, por isso o silêncio. Por isso às vezes não sinto nada. Por isso o tempo voltou.
Mas deixa outro dia vir e passar. Deixa outro dia anunciar o recomeço. O Sol ainda vai entrar e avisar que não há mais pelo que esperar. Vai me soprar pra longe, me levar pra casa, me esconder nas nuvens.
***Vários trechos de posts antigos do blog foram usados para formar esse treco aí em cima. Achei que fazia sentido.
~ouvindo Birds - Campo Bravo~
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2:39 AM |
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Sábado, Setembro 27, 2008
Os números não respondem mais
Aí eu venho falar sobre o futuro. De novo? Não, pela primeira vez. Venho só pra dizer que agora eu vejo como quem enxerga o outro lado da rua, com a luz verde prestes a acender. E eu tenho os pés descalços, as calças rasgadas, a barba por fazer e um computador novinho debaixo do braço. E tenho frio debaixo da cama. Ouço os primeiros sons do dia, mas faltam algumas horas.
Vem você agora, por favor, e me mostra outro jeito. E você me carrega no colo de novo, me mostra saída, responde a canção. Queria ver do outro lado da rua eu, sozinho, num cativeiro. Você lá fora, me trazendo doses diárias de mundo. Que nem naquela peça horrível que a gente viu.
Mas vejo o céu desabando numa rua sem saída. Um pouco antes eu, lá na esquina, tentando evitar o fim da linha. Atrás de mim um time de amigos, namorada e família, me empurrando.
E eu ando, vencido, mas resistindo, feito uma mula teimosa.
~ouvindo Half Right - Elliott Smith~
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4:42 AM |
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Quinta-feira, Agosto 28, 2008
Oh, petty criminal, give it back to me
Anos que somam 1 são complicados pra mim. E os roteiros de 99 e 2008, especialmente, são bem parecidos: uma separação abrupta das pessoas que mais gosto e uma mudança absurda de rotina.
São anos de mudança, é isso que eles são. Tenho certeza de que no ano que vem as coisas vão se aquietar um pouquinho. Mas já estou há tempo demais longe dos meus amigos, dos meus planos, do passado recente, dos meus sonhos e do futuro. Estou em um lugar qualquer que só um ano 2 irá dizer onde vai dar. Estou longe.
E a distância não torna o amor compreensível. Não o deixa real, nem verossímil, só o deixa distante.
Estamos todos distantes. Mas estamos bem. Estamos bem até que um desses corredores nos leve até um lugar esquecido. Olho pra frente, vejo três números. Abro a porta sem medo, mas penso duas vezes antes de dar o primeiro passo. Será que...
~ouvindo Perdida - Coiffeur~
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12:02 AM |
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Sábado, Julho 19, 2008
Sing the Blues!
Vi o show lá do Conor Oberst em São Paulo. Os shows né, porque fui nos dois dias, claro.
Foi tudo ainda melhor do que eu imaginava que seria, com meia dúzia das minhas músicas preferidas surpreendentemente no repertório. Podia ter ido embora pra casa depois da seqüência Hit The Switch + Bowl of Oranges. No segundo dia, os marmanjões de franja na cara, inclusive este que vos fala (mas que não tem franja na cara), tiveram certa dificuldade em manter a calma durante Milk Thistle, música do novo CD.
O Cd, aliás, é um absurdo. Foi vendido pela primeira vez aqui no Brasil até. Legal né? A prensagem é argentina e imagino que seja um pouco diferente da versão americana. Essa decisão faz certo sentido, pois fica bem claro durante o show que ele num suporta mais seu país de origem. Dá pra perceber isso no CD também, com várias músicas sobre fuga e, claro, Eagle on a Pole, cuja mensagem não poderia ser mais clara.
Na quarta-feira consegui falar com ele e perguntei se ele autografaria meu violão, se eu levasse no dia seguinte. "Sure", foi a resposta. Na quinta, depois de passar por uma multidão de fãs pulando no pescoço dele e seguranças pouco educados, consegui falar com o Conor. Ele acabou fazendo a equipe inteira esperar dentro de um taxi, enquanto eu buscava o violão para que ele autografasse ali mesmo, em pé, no trecho sujo da famigerada Rua Augusta. Imagina a cena.
~ouvindo Get Well Cards - Conor Oberst & The Mystic Valley Band~
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11:56 PM |
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Sexta-feira, Junho 20, 2008
Scytalopus Novacapitalis
Acho que agora eu estou começando a me acostumar com essas ruas enormes, cheias de carros. Não vejo pessoas em lugar nenhum por aqui, mas carros, esses estão por todos os lados. E dentro dos carros não há pessoas, olho pra eles e vejo nuvens nas janelas.
Tenho a nítida sensação que Brasília inteira flutua no céu. Fico procurando o beco sem saída que vai me atirar de volta ao chão.
Acordo atrasado, levanto e o dia derrama uma overdose de azul sobre mim. Desligo os despertadores, respondo as ligações perdidas, às vezes tomo um café e percorro meus 14 kms até meu único destino. Meu lugar é um número. Todos os lugares aqui são números. Isso deixa tudo tão mais fácil.
À noite volto pra casa (102) e devolvo todo aquele azul pra cidade. Repetimos a dança dia após dia.
~ouvindo In Field & Town - Hayden~
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4:01 AM |
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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008
Dois mil e oito
Cai com meu pé direito em 2008 e com aquele lema que me acompanha já há alguns anos nesta época do ano:
"if this is how it ends
lock the door behind you then
and let me down easy"
Tava falando outro dia sobre isso com uns amigos, adoro fechar portas. Adoro largar um caderninho de anotações e pegar outro. Apagar blogs, sumir com músicas, rasgar páginas de agenda e terminar um ano inteiro. Amo começar as coisas do zero. Cá esta dois-mil-e-oito, um ano novo, não é? Que seja novo de fato então.
Este é o ano em que faço 24 anos. 2 e 4, assim. Tô um bucado assustado com essa coisa na verdade. Fico achando que qualquer dia vou acordar com 30 anos e, ainda lá, começar as coisas do zero. Parando as coisas no começo, só pela graça de tentar algo novo.
Pior que isso, tô até parando de fazer planos pra mim. Vez ou outra tiro uma noite pra fazer uma longa caminhada (daquelas que me faziam botar as coisas em ordem na cabeça) e me vejo desenhando a vida do meu filho. Um filho que talvez nunca exista, mas que já guarda uma centena de responsabilidades e frustrações do pai. Tadinho.
Fiz uma música pra ele outro dia, uma música pra quando ele tiver pequeno. Já fico até pensando nas músicas que vou cantar pra ele quando ele tiver uns 7 anos e achar essas coisas de bebê todas chatas. Eu queria criar um filho sozinho. Queria dar à luz, dar de mamar, botar pra arrotar, trocar fraldas e tudo mais. Sozinho. Não que eu queira fazer um mini-me, ou ter um ursinho de pelúcia numa versão aceitável para hum... "adultos". É só que eu queria dar a minha vida inteira pra alguém novo viver. Alguém que leve minhas frustrações adiante, mas com elas só o que eu tenho de melhor pra dar aos outros.
Porque essa coisa toda de envelhecer parece despertar em mim defeitos, cismas e chatices que não existiam antes. Eu queria poder fechar essas portas. Como não posso, queria começar de novo, do zero.
~tocando Sheeva - Onze (a música do meu filho)~
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12:55 PM |
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Domingo, Agosto 26, 2007
Agosto - o mês mais frio do ano.
O mês que me deu minha chance de fuga e depois soprou pra longe. De dias estranhos sucedidos por dias estranhíssimos. Entre brigas, estradas, tiros e rejeições, mal me lembro das conquistas.
Pois conquistei - e tenho muito orgulho disso - um belo sinal de interrogação, já devidamente instalado nos meus próximos dias. Quem sabe em Setembro?
~ouvindo eu-mesmo-tocando-violão-porque-meu-computador-bixou~
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4:43 AM |
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Terça-feira, Agosto 14, 2007
101
Só eu conheço seus degraus no escuro. Só eu te conheço inteira. E se busco com a mão seus cantos, seus limites, é por ainda não me conhecer direito. Meu lar, meu esconderijo, minha jaula.
Só eu não vou sentir sua falta, pois vou ao chão junto contigo. Atravesso o chão e busco refúgio em uma ilha distante.
~ouvindo Blackbird (Beatles) - Elliott Smith~
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10:46 PM |
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Sábado, Julho 07, 2007
Aeroplanes.
Que alívio, nós todos estamos bem.
Né?
~ouvindo Aeroplanes - Onelinedrawing~
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3:49 AM |
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Sexta-feira, Junho 15, 2007
Ela ficou em casa.
Viro a cabeça de lado, olho pra noite. Ergo o nariz e olho pro escuro. Não enxergo mais do que há de verdade. E enxergo uma centena de pessoas, outra centena de luzes.
Estou no meu quarto de novo, mais algumas centenas de pessoas e uma só luz. Meia luz... insignificante luz.
Um só. Como demora o amanhã que traz meus vinte e dois motivos de volta.
~ouvindo Harvest Moon - Neil Young~
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2:34 AM |
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Sábado, Maio 26, 2007
Random.
De vez em quando confio no shuffle do media player. É legal pra caramba quando ele acerta em cheio.
~ouvindo Onze - Vinte e Dois~
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3:55 AM |
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Quinta-feira, Maio 10, 2007
I'm Walken.
Tô tentando manter esse hábito de andar, porque me faz um bem danado. De madrugada e na chuva então, melhor ainda. Casaco, bermuda, chinelo e tortinhas do McDonald's na mão me deixam com aquela aparência de atleta fazendo cooper.
Hoje no meio da minha caminhada passei na frente duma galeria pra lá de chinfrim que tem aqui perto de casa. Tava rolando um leilão lá, e o treco tava mais cheio de socialites do que o inferno de advogados. Aí eu fiquei imaginando durante boa parte do caminho daonde tinha surgido esse súbito interesse da sociedade capixaba por arte. Uma tortinha de banana e uma segunda passada na frente do lugar me fizeram concluir que eles só podiam estar lá pelo whisky e champagne grátis.
Tô colecionando algumas aventuras das minhas caminhadas. Outro dia tava andando com a Thais e gritaram "Ê-MÔ!" pra gente, foi engraçado. Tava falando com ela que ia ser mó legal se esse fosse o nome do meu disco. Se liga: Onze - Ê-MÔ. Soa bem, né? Ela num acha.
~ouvindo Glory - Radical Face~
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3:28 AM |
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Terça-feira, Abril 17, 2007
Bm6, desce seis semi-tons e volta pro Bm
Tenho repetido os mesmos 7 acordes há alguns meses já, teimando que um dia eles vão virar 101. Quando ela tiver pronta vai ser a música mais difícil que já fiz. O pior é que tenho mais ou menos um mês pra terminar, senão ela vai perder o sentido.
Meu carro quebrou de novo. Só que dessa vez não fiz nada, a Esmeralda simplesmente decidiu parar de funcionar. Mas nem tô ligando muito não, tô gostando de andar por aí. Outro dia de madrugada tava numa rua perto de casa tocando violão e alguém gritou "Ô violão!", aí conheci três pessoas e toquei meia hora de Tom Jobim e Elliott Smith. Acabei até cantando uma música (Retrato em Branco e Preto) meio a contragosto.
101 começa meio bossinha, eu acho, mas não deve ficar bossinha a música inteira. O problema é que não consigo enfiar mais acorde nenhum na música além dos 7 iniciais. É difícil colocar lógica num negócio que não tem lógica nenhuma pra mim.
5 galhos, 10 memórias nascem todo dia onze. 58 a nossa chave, o nosso ano, o nosso tempo, o nosso lugar, a raiz que não nos deixa despencar. Eu grito assim, fora do tom, pra te alcançar. Quando a lua cair, vou acordar num dia 17 e não te ver partir.
É só isso até agora.
~ouvindo Cleanse Song - Bright Eyes~
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2:04 AM |
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Terça-feira, Março 20, 2007
Cansado de ser gerúndio.
Cansei de nunca terminar o que começo. Cansei de vez de nunca acordar e nunca dormir. Comecei uma vida, um disco, uma história, um plano de fuga.
Pela primeira vez sinto uma vontade incontrolável de virar particípio.
~ouvindo A Wish - Gregory and The Hawk~
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6:52 PM |
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Sábado, Março 03, 2007
My fangs have been pulled.
Essa noite sonhei que tava num programa de TV em que o Felipe Dylon fazia cover de Poor Places, do Wilco. Caramba, assutador. Acordei com vontade de ouvir Wilco e com muito medo.
Nesse sonho um dos meus dentes caía e eu tentava colar de volta com um chiclete. Tenho sonhado um bucado com meus dentes caindo.
~ouvindo Say You Miss Me - Wilco~
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3:35 PM |
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Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
Coca-Cola and Unlit Cigarettes.
Existe a grande possibilidade de quando alguém, eventualmente, ler o que vou escrever agora achar que eu enlouqueci de vez. Aí vai mesmo assim.
É o seguinte: meu "estúdio" (com estúdio quero dizer lugar-onde-junto-os-instrumentos-e-o-computador-pra-fazer-barulho) agora é onde era o escritório do meu avô, onde ninguém entrava até ele morrer. Ninguém perturbava meu vô quando ele tava no escritório.
Vovô tinha sido proibido de fumar pelo médico, mas todo mundo sabia que ele fumava escondido. Eu mesmo encontrei alguns maços de Charm no carro dele vez ou outra.
Pois é. Às vezes quando tô aqui tocando e tal, com as janelas e portas fechadas (pra não entrar mosquito e o barulho não escapar muito) sobe um cheiro fortíssimo de cigarro do nada. Estranho pra caramba.
E eu nem tô tão doido assim, porque a Thais até testemunhou o treco uma vez. O que deixa a história ainda mais bizarra.
~ouvindo The Old House and its Occupant - Dreamend~
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5:16 AM |
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Domingo, Fevereiro 11, 2007
New Gossip.
Ouvi de alguém um pouco de tudo que esqueço quando abro os olhos. E fiz todo o esforço que faço, pra não me deixar lembrar das notas que eu quis alcançar.
Pois se o som é novo e me leva ao passado é natural que eu queira escutar. Mas é nos velhos sonhos de novos acordes que eu vou me deitar.
Se cada novo despertar me leva a um velho lugar, quando ouço esses sons me pergunto se vale a pena acordar.
~ouvindo Say Yes - Elliott Smith (não estou ouvindo agora agora, mas tenho ouvido um bucado ultimamente)~
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3:42 AM |
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Domingo, Fevereiro 04, 2007
A Skin too Few.
Acabei de ver o documentário sobre a vida do Nick Drake, que, certamente, acabou pisando na Terra por um erro de cálculo dum cara qualquer que controla esse tipo de coisa. O povo aqui agradece, mas tava na cara que ele num merecia esse destino.
~ouvindo From the Morning - Nick Drake~
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6:09 AM |
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
A ti. Há ti?
Nossos filhos crescerão, e não vão lembrar dos tempos de quase bonança. Os dias que nunca vivemos vão sumir da memória dos nossos descendentes.
É a história que se repete de tempos em tempos, e se recusa a deixar culpados. Ela nos ensina a resistir, a recomeçar, a vacilar, a chorar, resistir e ver que o fim não existe, até a vida se esvair e nos libertar desse ciclo nauseante. É a história que continua nas próximas gerações, até que encontrem a cura para a humanidade.
Ser humano é nunca ter respostas. É nunca ser capaz de entender e prever coisas simples: amor, dependência, rancor e laços que o nosso vocubulário aida é incapaz de traduzir. O universo é um grande mistério indesvendável, que não responde ainda a equações, telescópios ou gritos de socorro. A base da comunidade do terceiro planeta depois do Sol é testemunhada a cada novo segundo e ainda incompreendida. O que é a paternidade? O que é a maternidade? E por que são diferentes? Por que são separadas?
Quantos anos vamos levar pra reconhecer nosso sangue no outro?
~ouvindo Human - Sol Seppy~
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1:41 AM |
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Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
The Bells of 1 2.
Baixei esse disco ( primeiro, e até então último ) do Sol Seppy no começo de 2006, mas ele só me conquistou agora, quase em 2007. E se eu fosse medíocre o suficiente pra fazer uma lista de melhores do ano, esse disco estaria lá no topo.
Lindo de doer. Wonderland música do ano, provavelmente seguida por alguma do M. Ward, outra do Guillemots, uma do Beirut... enfim. Isso se eu fosse fazer uma lista de melhores do ano.
~ouvindo Wonderland - Sol Seppy ( eu hein )~
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2:01 PM |
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Segunda-feira, Dezembro 25, 2006
Eu hein.
Desaparecendo |
6:09 AM |
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Domingo, Dezembro 24, 2006
Tá. Agora que o contador parou eu volto.
Final de ano. Eu gosto, sabia? Nem devia, porque fim de ano é totalmente uncool. Mas lá se foi dois-mil-e-seis, um ano como outro qualquer, cheio de coisas boas e ruins.
Que a gente só se lembre das boas, e que as ruins daqui a algum tempo pareçam melhores.
~ouvindo New Year's Eve - The Walkmen ( música-tema de todos meus finais de ano, sempre )~
Desaparecendo |
7:59 PM |
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Sexta-feira, Novembro 17, 2006
É.
Desaparecendo |
12:17 PM |
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Domingo, Janeiro 23, 2005
There is no sunken treasure.
I am so... out of tune!
~ouvindo Sunken Treasure - Wilco~
Desaparecendo |
8:04 PM |
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